r e c o r d # 9
TwentyHate e Ashes in the Ocean na Casa da Botica
O jardim da Casa da Botica voltou a contrariar a solenidade do seu passado. No dia 19 de setembro, os TwentyHate e os Ashes in the Ocean ocuparam aquele espaço histórico com duas propostas musicais marcadas pela intensidade, pela distorção e pela exploração de diferentes linguagens e possibilidades expressivas do metal. A iniciativa integrou a nona edição do ciclo #record, promovido pela Caixa Negra.
Coube aos Ashes in the Ocean, oriundos de Fafe, abrir a noite. Formado em 2021, o projeto apresentou uma proposta assente na intensidade instrumental, nos contrastes sonoros e numa expressividade que faz da energia um dos seus principais elementos. Com um primeiro EP editado em 2025, a banda trouxe à Casa da Botica o resultado de um percurso de criação que procura consolidar uma identidade musical própria.
Seguiram-se os TwentyHate, que escolheram o jardim da Casa da Botica para a sua estreia ao vivo. O sexteto bracarense apresentou uma proposta marcada pela contundência instrumental, pela densidade sonora e pela exploração de diferentes atmosferas. Guitarras incisivas, uma secção rítmica vigorosa e a conjugação de dois registos vocais distintos deram corpo a uma linguagem musical onde a intensidade não exclui a construção de ambientes e os contrastes expressivos. As programações eletrónicas acrescentaram novas camadas e texturas a um universo sonoro construído na tensão entre a força instrumental e a dimensão atmosférica.
A estreia assinalou a concretização pública de um percurso criativo com raízes que remontam a mais de uma década. Foi o momento em que um trabalho desenvolvido ao longo do tempo encontrou finalmente a sua expressão em palco, transformando a experiência de criação numa experiência de partilha.
Os concertos dos TwentyHate e dos Ashes in the Ocean deram continuidade ao trabalho desenvolvido pela Caixa Negra, que tem afirmado a Casa da Botica como um espaço de divulgação da música independente e de dinamização cultural.
Entre a memória do antigo jardim senhorial e a intensidade das propostas musicais contemporâneas, o ciclo #record voltou a demonstrar que o património não se limita à conservação do passado: reinventa-se através das experiências culturais que nele encontram lugar.